O Teatro Dos Sonhos


17/03/2010


Anticorpos.

 

 

Todas as palavras que meus lábios não sabiam pronunciar:
- ‘Era tão simples fazer das cortinas um leque do tamanho da nossa felicidade!’

Minha alma age como se soubesse em qual gaveta se esconde a cura.
Os anticorpos não funcionam em patologias abstratas...
A grama desse jardim nunca foi verde mesmo, por que então chamar nossa antiga casa de lar?

Meu sorriso sempre terminou como uma página rasgada ao meio.
Ainda ouço o som da porta que se fechou atrás dos meus ombros.

Meu sangue não é vermelho o bastante. E nós ganhamos um choque anafilático.
Eu não acredito mais nas legendas dos filmes.

Por que simplesmente não guia meus dedos para os números certos?
É uma carta sem destinatário. A mensagem na garrafa.

A gente procura química onde só existe teoria.
Encontrar-se diante de um espelho quebrado é enxergar o reflexo por olhares indiferentes.

Não podemos mais pintar esse quadro sozinhos.
As cores saíram de moda. A verdade saiu de moda.
Em qual mentira devo acreditar dessa vez?

‘O amor nos leva tudo o que temos de bom e não nos dá a chance de pegar de volta as emoções que investimos.’

O verão nunca começa para os falsos apaixonados.
É apenas um inverno onde a neve ainda não caiu.


Escrito por Brunno Lopez às 19h05
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08/03/2010


A Mentira De Verdade.

 

Como começar um livro de um capítulo aleatório?

Eu não sei o seu nome, mas sei suas músicas favoritas e o nome do seu cachorro.
Eu não sei como prefere seu café, mas sei que nos domingos de manhã você não gosta de ouvir bom dia.
Eu não sei o toque do seu celular, mas sei que adoro quando você cheira as pontas dos seus cabelos.
Eu não sei onde você mora, mas sei que massagens nos pés te acalmam de maneira deliciosa.
Eu não sei qual o seu perfume, mas sei que perto do seu pescoço até os mais doces anjos desejam ser humanos.
Eu não sei o formato das suas mãos, mas sei quando as seguro, o outono ganha flores.

Você deve ser o último trem da estação. Aquele que quase ninguém consegue esperar.

Escrito por Brunno Lopez às 23h40
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28/02/2010


Rios Secos

 

Alguma parte das minhas antigas forças queria que o tempo se petrificasse.
Talvez aquele olhar ainda tivesse tanto poder para mudar o curso do sangue em minhas veias.

Eu sempre apostei nos seus números, mesmo que não ganhasse.
Alguns julgariam por amor-próprio, eu chamava de devoção racional.

O mundo visto de cima, ou de baixo, continua girando pra mim.
Por que simplesmente não ser o solo de guitarra que você nunca conseguiu entender?
Por que assistir filmes até os créditos subirem apenas pra ver se o beijo durava até o menu principal?

Como esse coração não bate, alguém precisa empurrá-lo.
Coloque-o num desses carrinhos de parque de diversões e o deixe brincando.
A inocência pode trazer vida a sentimentos já perecidos.

Ninguém pode medir a qualidade do teu ar, mesmo que respirem.
Ninguém pode saber como te desenho, como decorei a maneira que seus traços foram criados.

Não adianta ganhar uma lágrima por dia se meus rios correm secos.
E o curso deles nunca mudou, apenas esteve eternamente evaporado.

Escrito por Brunno Lopez às 14h27
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08/02/2010


Novas Estações.

 

É oficial.

Os domingos de manhã finalmente viraram sábados à noite.
As asinhas douradas aprenderam a ser garras prateadas.

Por que tão sério?
Pra que tão sério?

Pare agora de pegar o seu tempo e depositar no colo de outra pessoa.
Você acaba pesando e se torna um incômodo em poucos minutos.

As vezes nós descobrimos armas em nossos sonhos.
Aquelas que não cabiam em nossas mãos.
Aquelas que pareciam nunca funcionar por mais perfeitas que parecessem.

E hoje você a dispara no primeiro toque.
Muitas caem, poucas se desviam.

Todos querem sangrar pra que alguém venha estancar seu sangue.
 
Valores, todos numa mochila desbotada, lançada em águas rasas pra que não afogue os curiosos.

Sem cores, a tua nova vida te sintoniza.
Você é um instrumento de um jogo perdido.

E pode ganhar sempre, com prazo de validade imperecível.

Os sorrisos nunca desaparecem.
Sem lágrimas, você se sente vivo.

Você tomou sua dose de amor hoje?
Então tome... É hilariante.

E as melhores noites começam com um enorme e gigante sorriso falso.

Escrito por Brunno Lopez às 22h29
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21/01/2010


A (Quase) Última Valsa



Pare aqui. Me dê um abraço.
Eu não posso te comprar o ontem, muito menos lhe dizer que o amanhã será melhor.
Mas posso te convidar a viver o presente.

Acordei na cama de outra pessoa.
Li outras cartas, vi outros filmes.

Essas mãos não são do mesmo tamanho que as minhas, mas devem servir pra passar esse inverno.
Não é assim que vemos o amor passar pela nossa janela?

Está muito frio, não podemos sair para buscá-lo
E se congelarmos? E se ele não se virar pra nos olhar nos olhos?

Da próxima vez que ele lhe vier embrulhado, não abra.

Aproveite enquanto ainda pode me atingir.
Aproveite enquanto não sinto açúcar nesses beijos falsos.

Quando meu coração se petrificar eu andarei até você.
E não me lembrarei do que era.
E já terei perdido o melhor de mim.

Mas não é o melhor de mim que o planetinha gelado precisa.
Ele quer a ausência dos meus poderes.

E logo eu não terei mais nenhum.

__________________________________________________

Como se dança uma música que não acaba?


Escrito por Brunno Lopez às 01h41
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17/01/2010


Anti-Herói

 

 

Depois de algumas noites de intensa pesquisa no planetinha gelado, eu resolvi tirar a minha armadura prateada (pois a dourada custa caro, mas não protege do mesmo jeito) e criar outro personagem.
Uma sátira de mim.

Minhas primeiras palavras como cavaleiro do ‘ex-amor‘ foram essas:

‘Eu não posso fazer um brinde a isso.
O amor é uma palavra mágica para os fracos e sem educação.
Infelizmente eu estou condenado a ver o mundo como ele é.
E aqui, o amor é um mito.’

Fiz aviões com as folhas amareladas dos meus antigos cadernos. Cheios de textos existenciais e otimistas. Ao menos agora, eles voam.

Arranquei as rosas brancas do meu jardim. Duvido que alguém consiga encontrar uma pessoa que ainda suspire com isso, a menos que venha embrulhada em algumas nota$ verde$ e poética$.

Tirei minhas asas, de que adiantava voar?
Ninguém procura os anjos, ninguém navega águas calmas, ninguém faz bonecos de neve.

Fiz de algumas centenas de milhares de lágrimas um drink pra todas vocês.
O copo é bonito, não é isso que importa?

Eu não tenho nada de especial, eu não atendo aos domingos, eu não faço serenatas, não escalo janelas, não apareço na porta da igreja pra lhes salvarem do cara errado.

O silêncio que antecedia alguma surpresa, hoje é apenas silêncio mesmo.
Não quero mais saber quem está pendurado nas paredes do seu coração.

É... seria engraçado se fosse verdade.

O problema é que minha armadura não sai.

 

(Jeito estranho de dizer que amo alguém...)

Escrito por Brunno Lopez às 02h03
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15/01/2010


Invisível



Um dia você desperta numa manhã qualquer e descobre que seu celular parou de tocar.
Descobre que sua roupa não combina e que seu cabelo não é o cartão de visitas que você imaginava ser.

Numa dessas manhãs (ensolaradas ou chuvosas, pois isso não importa mesmo) em que abrir os olhos não lhe soa tão natural assim, você percebe que suas mãos perderam o formato.
Você começa a ouvir sua própria respiração.

Você pega toda a sua gaveta de sentimentos e fica em dúvida se os coloca pra lavar ou se livra deles de uma vez.
Algo em você lhe diz que cócegas não funcionam como estimulante verdadeiro de felicidade.
Seus olhos entendem agora o marasmo dos telhados cinzentos. Nós nunca olhamos pra eles, mas hoje, você está em outro momento.

Tudo o que lhe impressionava poeticamente, toda a fantasia, todas as cores que você vivia exaltando em sua personalidade, parece uma farsa pra você.

Depois da tempestade, não deveria existir a bonança?
É o que sempre lhe venderam... e você comprou isso todos os dias, sem pestanejar.
Talvez você nem saiba o que significa ‘bonança’.
Mas isso também não faz mais sentido agora.

As horas em que você teve superpoderes, quantos você salvou?
Nunca nos explicaram que talvez os poderes fossem pra nos salvarmos de nós mesmos?
Mas essa é uma música ruim de ouvir e que toca numa estação insintonizável.
As ruas que você sempre evitou hoje são as únicas que abrigam os seus passos.
O planetinha perdido e superficial que você sempre ignorou te convida pra dançar.

Você conhece as regras e nunca as quebrou. E quando as quebra, o coração se parte em pedaços tão pequenos que conseguem atravessar o buraco de uma agulha.
Mas hoje, não existem mais romances cardiovasculares.
Logo você não poderá encontrá-los nem mesmo nas locadoras.

Esse jogo que aprendemos há tanto tempo, ninguém ouviu falar.
Ninguém quer saber que peças faltam, que cores dão mais pontos.
Tudo lhe arrebata de uma forma desinteressada, como um momento que morrerá daqui a pouco.

A razão não tem valor.
Estar certo e lutar por isso não tem valor.

O que vale alguma recompensa é ‘seguir o fluxo’ (como alguns dizem por aí).

Lembra da última vez que que foi honesto(a) com você?

Hoje, isso não é mais vital.

Você perdeu a hora pela primeira vez.
Você ofereceu seus lábios ao acaso pela primeira vez.

Os desejos deveriam ser diferentes mas o seu interior é forte.
Você escala esses precipícios como se fosse brincadeira.

Mas não é uma brincadeira.
O que se faz nesse mundinho gelado ainda se paga aqui.

Hoje você compreende o que algumas canções querem realmente dizer.
Aquilo era mesmo de verdade, não foi fabricado pra te fazer chorar.

Nessa manhã, em que tuas asas lhe dizem que nunca funcionaram você percebe que nunca saiu do chão.

Mas estar ao nível do mar vai te fazer algo que você ainda não é?

Escrito por Brunno Lopez às 19h35
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31/07/2009




Não existem sombras por aqui.
A maioria das pessoas andam sob um granizo interminável e isso soa um tanto caótico.
Há alguns dias não tenho mais reconhecido nenhum som que me recordasse o passado.
Todos os meus passos tem sido medidos com cuidado, não por obrigação pessoal, talvez uma inconsciência.

Nenhum reflexo é mais tão comum.
Tudo tem um aspecto perfeitamente peculiar aos meus novos olhos.
Todas os clichês desapareceram, eu simplesmente não posso prever mais nada.
Se tive poderes algum dia, hoje eles não habitam meus domínios.

As cores não me aborrecem tão severamente.
Arrisco sorrisos tímidos numa manhã qualquer.
Aprendi que posso rir de poemas ruins ou frases sem muita graça.

Nunca fui aos extremos.
Nunca perfeitamente brilhante, nunca terrivelmente ridículo.

Não vendi conceitos nem inspirei gerações. Só queria ouvir minha voz em algumas caixas de som. 5.1 de preferência.

Escrito por userID: 312019555437firstName: Brunno às 19h56
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28/11/2008


O Último

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Meus brinquedos.
Eu perdi todas as suas peças.
Meus cabelos não sabem mais como se moldar ao vento.
E as nuvens não são tão doces assim.

O que foi que aprendemos com o final de todos os capítulos?
Muitos pularam páginas, outros rasgaram...
Eu apenas dobrei para ler mais tarde.

Então essa é a sensação de ser a última pessoa do mundo?
A última carta, o último pedaço, a última dança.

Eu me petrifiquei nesse último verão e não pude ver você desfilar na minha órbita.
Eu acordei numa dessas manhãs chuvosas e não servia mais nas minhas roupas.
Eu dei dois passos e me pareceu ter percorrido uma maratona, um infinito exagerado.

Os nós que aprendi a dar não foram fortes para prender você.
Eu te escondi naquele envelope de ouro mas meu beijo não te selou.

Não posso mais roubar os sonhos das outras pessoas.
Não posso mais inventar meus próprios sonhos.

Eu me afoguei nessa garrafa ao mar e não tenho nada escrito em mim.
E mesmo que tivesse, não existe mais ninguém pra ler.

Nunca a grama verde e o orvalho matinal me pareceram tão assustadores.
Nunca o chão me pareceu tão alto.
Nunca o céu me pareceu tão próximo.

Essas lágrimas não têm mais sal... mas continuam a escorrer até a minha boca.


Escrito por Brunno Lopez às 00h30
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25/11/2008


Destino: Qualquer Lugar

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A Via Láctea não me encantou. Não me hospedou.
Não me ensinou palavras novas nem fórmulas de sucesso.
Desisti pela milésima vez de conhecer o infinito, o pote de ouro no final do arco-íris.

Dos meus bolsos não jorram poemas e minha pele não reconhece mais o seu toque.
Eu tentei fazer da inocência uma arma mas não existia munição compatível.

Ouço esses milhares de corações a bater, como temporais iminentes e nenhuma gota é capaz de refrescar meus traços.
Me acostumei a ser um rabisco em papéis amassados.

Não desejei reconhecer rostos agradáveis nem fazer associações. Você sempre soube que meu sangue corria diferente, bastava mudar o tom de voz.

Um gênio desejaria um tapete mágico. Mas sinceramente, eu pareço um gênio pra você?
Eu lhe roubo para me sentir mais pobre?
Eu lhe venço para me sentir mais derrotado?

Ninguém está vivo para seguir meus rastros.

A eternidade me fez esquecer de respirar e não me lembrou de morrer.

Não enxerguei rosas coloridas nesse universo. Perfumes são lendas, páginas, papiro.
Não adormeço sem estar sonhando. Não flutuo sem estar enterrado.

Meus dedos esqueceram as canções. Não seguram um violão, nem uma espada.
As estações me fazem de marionete enquanto o tempo me absorve.

Preciso aprender feitiços novos.
Parece mentira, mas as palavras mágicas nunca funcionam quando você realmente precisa.
E é melancólico despejar uma lágrima e vê-la evaporar antes de tocar o chão.

Escrito por Brunno Lopez às 00h12
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23/11/2008


O Sorriso Ao Contrário

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A todos vocês que se despediram de mim, que não mais se escondem embaixo do meu guarda-chuva. Ele deve ter perdido a graça, assim como o dono dele.
Essa noite cheia de raios e ventos sussurrantes, de vultos e memórias. Nenhum fantasma do passado tem tanto força pra mudar os atuais sentimentos.
Não é preciso uma balada melosamente romântica pra me fazer escrever abaixo da calçada.
Com melancolia iminente eu crio esse capuz existencial que infelizmente só serve pra mim.
A minha temperatura não condiz com a necessidade do seu aquecedor.
Você não sente o prazer de todo o meu gelo, das gotas congelantes, das brisas arrepiantes.
Eu sou o único em preto-e-branco nesse horizonte colorido.
É comum aos desesperados desafiar o rumo natural das coisas.
Beber toda a água da cachoeira, nadar contra ela... Tingir o céu de qualquer outra cor que não seja o azul das manhãs ou o preto das noites.
Eu estudei tanto pra ser seu anjo da guarda. Eu esqueci da minha própria vida. Eu passei apenas a estar onde sua respiração precisasse de ar.
Não seria difícil encontrar beleza em flores murchas, sedentas por uma faísca de sol.
Eu encontrava dádivas em tudo, eu escutava apenas os sons agradáveis, eu não enxergava a penumbra.
Nesse vale opaco, apenas minhas notas sucumbem.
Eu tenho todos os dados mas o mundo joga roleta.
Eu tenho todas as cartas mas sou o pino do boliche.
Queria saber o porquê dos meus traços estarem incompletos na ilustração de nossas vidas.

Eu não sobrevivo sem seu pólen, sem seu zunido familiar, sem qualquer coisa doce que você venha a produzir.
Não escolhi os cantos para me sentar mas toda sala parece grande demais sem a sua silhueta.
O amor não nos ensina nada. Apenas nos cobra e nos força a eternamente enaltece-lo em seu estado de paixão, onde todas as portas se abrem facilmente.
É involuntário pra mim defender sua existência. Quase sempre desperto de um devaneio qualquer levantando a sua bandeira. Seus degraus são como manuais de instrução que decorei por completo, mas não os abandono com medo de esquecer todas os seus desejos favoritos.
Bom seria se a tristeza fosse apenas um sorriso ao contrário.

Escrito por Brunno Lopez às 14h19
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18/11/2008


Caindo Para O Alto

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Nenhuma das incontáveis vozes rasgadas consequem lhe atingir.

Algum semi-deus aconselhou sua inteligência a compor vossos sonetos na terceira pessoa.
E todos os seus pesadelos viajaram de primeira classe para algumas férias imaginavelmente oportunas.

Deveria acostumar-se a viver sob os holofotes admiráveis.
Eles sempre escolhem as palavras certas para descrever seus preciosos traços.
Eles estudaram pouco para inventar uma mentira e a verdade nunca consegue fazer um elogio.

Nunca lhe perguntaram por que não tranca suas gavetas prateadas?
Numa noite dessas, eu poderia lhe roubar seus capítulos premiados.
Suas liturgias breves, seus devaneios de cristal.
Tudo o que seus dedos produzem em 'improvisos ensaiados', eu desejo.
Eu sucumbo. Eu atrofio.

São inexatas as oportunidades em que desvio tua capa de meu reflexo.

Seus exércitos nunca venceriam uma batalha, mas a maneira com que marcham me assusta.
Suas armas não me ferem, mas a composição de sua munição me mistifica.
Nenhum dos seus feitiços me congela, mas a preparação para a sua mágica me convence.

Minhas paredes são apenas tábuas de madeira. Pregos dourados, assoalho de taco envernizado.
Suas palmas não me despertam mas meu corpo sempre acaba te fazendo reverências.
Sempre se regenera de uma flecha qualquer. Sempre se põe de pé. Sempre desperto e tecnicamente pronto.

Eu não conheço a amplitude de seus comandos, mas perderia todo o tempo do mundo corrigindo o seu manual de instruções.
Colecionaria suas peças como se fossem selos valiosos.

(E claro, compraria seu album de figurinhas)

Escrito por Brunno Lopez às 00h38
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12/11/2008


Transcodificando Fantasias

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Existiam linhas quebradas naquele roteiro.
Existiam nomes desconhecidos e falas precipitadas.

Desde os cinco primeiros segundos da minha (da sua?) vida, eu tive a plena e inenarrável convicção de que nunca poderia ser um 'mestre da interpretação'.
Eu descobri que não sobreviveria encenando monólogos inteligentes e perspicazes.
Tudo o que meus olhos fotografavam, eu não conseguia revelar.

Toda aquela atmosfera. Todas aquelas cores sintetizadas numa canção sem instrumentos.
As mentiras tem seu reinado limitado mas faziam o seu sangue correr pelas paredes das minhas mãos.

O mundo vislumbra centenas de milhares de rumos aleatórios, com paisagens infinitas e histórias bifurcadas. Mas nós...
Nós sempre desejamos a mesma coisa. Vocês desejam, eles desejam.

Se a sua corda for forte o bastante, todos vão querer saber se suportam seus pescoços.
Se sua cadeira balança com ruídos engraçados, todos vão adorar esticar suas pernas.
Se suas asas são de madeira, todos vão desejar entender como você levanta vôo quando elas se queimam.

Ficaria um milhão de anos calado mas eu respondo aos seus estímulos.
Seus pulmões resolvem respirar e movimentam as partículas de ar ao meu redor.
Seus olhos decidem abrir as cortinas e lá está meu mundo sendo colorido de novo.

Na sua TV, o canal dos 'corações partidos' saiu do ar por falta de patrocinadores. E você morre em suspiros, acreditando que qualquer truque de algum mágico fajuto trará suas aspirações novamente. Pois creia.
Faça dos livros uma escada de conhecimento e se cure.

Cura.
Se o amor é sua doença, o que a cura lhe oferece?



Escrito por Brunno Lopez às 00h48
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11/11/2008


Gotas Silenciosas

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O capítulo dois é tão intrigante quanto o primeiro.
Não existem pistas para portas certas nem prêmios de consolação para os eventuais fracassados.

Esta manhã não conhece todas as sílabas para lhe desejar bom dia. (E aconselho não esperar que a noite faça algo parecido)

Ouvi suas histórias sobre 'enxergar o mundo do alto' e sinceramente não achei a oitava maravilha do mundo. Talvez eu deixe todas as suas páginas ficarem derradeiramente amareladas e insípidas. Ou apenas rasgadas em pontos estratégicos. Ou até colocá-las na primeira classe do próximo 'vôo eólico' que estiver disponível.

Seus anjos andam falando com estranhos, não é?
É possível que ainda vendam a eterna história de asas perfumadas e cupidos infalíveis. E por que não?
Alguns de nós se auto-escravizam numa dinastia regada a prazeres intermitentes. Eu disse alguns? Não... são vários, muitos!

Nesse século existem artistas poderosos.
Em suas aquarelas futuristas, conseguem pintar o 'amor' de qualquer coloração imaginável.
Eu não gostaria de acordar e ver que a tinta secou.

Se tais sentimentos importassem de verdade;
Pintariam a via láctea de notas indecifráveis e venderiam sorrisos a preços de ocasião.
A ironia sabe mesmo todas as passagens secretas. Ela, e todos os seus sinônimos.

Caímos aqui, como estrelas cadentes de pouca energia que não foram capazes de abrir uma cratera no chão.
Não fomos tão curiosamente pesquisados, não estaremos no índice dos best-sellers.
Nós criamos uma língua confusa e enlevada. As pessoas a chamam de poema sem rimas.
Metade delas não sabe o que é viver todas as horas possíveis em um cadafalso.

(Se você soubesse como enlouqueço em sua tempestade, como anseio por seus trovões inesperados e apaixonantes.
Seus rastros são enxurradas, seus beijos são gotas...
...Não queria que seu adeus fosse o sol)

Escrito por Brunno Lopez às 22h34
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10/11/2008


Instintivo e Desatinado


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Confesso que tentei soar simples. De verdade.
Parece pouco provável, mas a simplicidade tem uma dose nada homeopática de complexidade.
Faria aqui uso de superlativos desconhecidos ou de algumas letras esquecidas, afinal, ainda não tenho corretamente desenhado o que desejo expressar.
Algo publicitário talvez. Poético? Quem sabe.

Poderia compor a primeira crônica em 'stop-motion' mas acho que isso não existe.

Tentaria aqui construir grades de pensamento suficientemente fortes para prender a atenção dos que resolverem abrir seus pára-quedas por aqui.

Tenho sorte por não decorar fórmulas perfeitas de encantamento, afinal, eu não gostaria de ver tudo funcionando.

Vamos então procurar os subliminares do mundo, as rosas brancas, as tempestades e sua melancolia.
Vamos decorar todas as faces possíveis de um dado ilegível.

Com todas essas cortinas opacas e pouco agradáveis, eu lhes apresento um ato do meu concerto, show, drama, espetáculo?

Diagnostiquei os emblemas do tempo e programei meus sensores cardiovasculares para escutar suas palmas.

Nessa mochila de sonhos, eu compro terrenos na constelação de Andrômeda. Tudo pra descobrir que algumas das mais poderosas luzes estelares pode ser apenas um 'olhar para o passado'.
Algumas delas não existem mais.
Apenas o reflexo sobrevive através dos anos-luz.

Queria cobrir esse seu mundo de lágrimas doces e orvalhos inesperados.

Queria poder queimar todas essas partituras programadas, essas notas fabricadas, essas vozes domesticadas, essas músicas decoradas e inventar um método misterioso e potencialmente agradável de entreter qualquer ambiente.

Não desejava adormecer sobre as cifras do meu cansaço, mas um cochilo não faria mal às ambições de minha donzela.

O imperfeito é diariamente compartilhado, por que então a perfeição consegue gritar tão alto?

'Minhas peças são insubstituíveis por isso sempre parecerei incompleto aos seus olhos'



Escrito por Brunno Lopez às 21h09
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